sexta-feira, 4 de maio de 2012

DR. BACH

 Uma leitura do livro: Os remédios Florais do Dr. Bach que inclui o ensaio intitulado Cura-te a ti mesmo e os 12 remédios inicialmente estudados, e, mais, os remédios subsequentes que completam o conjunto dos 38 medicamentos, produzidos a partir das flores.
Para introduzir a exposição e explicação sobre os medicamentos, o médico inglês nos fala sobre a causa real das doenças e o caminho real de retorno à saúde. A saúde é um estado natural do ser humano. Ao quebrar a sua conexão entre ego e self, ou entre alma e personalidade como nos afirma Dr. Bach, o equilíbrio gerador de saúde rompe-se e dá lugar à manifestação da doença. Essa quebra de equilíbrio decorre dos transtornos gerados pelo desconhecimento dos matizes inconscientes que marcam a ação do indivíduo na vida, gerando o distanciamento do seu propósito maior, do real papel da sua alma na trajetória presente, e em sua infinita existência. Desdobrando-se essa sombra, dá-se a quebra das Leis Universais que pressupõem a Unidade, o Amor e o trabalho evolutivo que se dá na integração das experiências às quais somos apresentados. Sendo assim, a cura advém da busca do reequilíbrio interior, na perspectiva do indivíduo alinhar-se ao propósito existencial emanado da sua alma, restabelecendo uma ação harmonizada com a existência da Unidade Universal, na qual, acreditamos estar inseridos e articulados em toda a sua infinita manifestação. Certo de que há em nós a força espiritual necessária para operar a mudança e correção da rota, Dr. Bach nos convida a trabalhar em benefìcio da saúde indivudual e coletiva.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

"Terapeutas do Deserto"

O livro de Leonardo Boff e Jean-Yves Leloup resulta de um seminário da UNIPAZ e integra as publicações do Colégio Internacional dos Terapeutas - CIT. Com base nas grandes tradições de conhecimento exotérico, são apresentadas sete etapas, através das quais, o caminho de desenvolvimento espiritual se desenvolve. O numinoso, a metanóia, as consolações, a dúvida, o vazio, a transformação e o retorno ao cotidiano são as etapas que estruturam o caminho da busca espiritual.
Dos antigos terapeutas do deserto, passando pela terapia iniciática de Graf Durckeim, e chegando a São Francisco de Assis os autores nos descrevem e nos demonstram o percurso. Vale lembrar que o conceito de terapeuta é utilizado para nomear todo aquele que orienta, ou  orienta-se  no sentido da integração pessoal em direção a transcendência - a experiência da plenitude.
O processo de desenvolvimento espiritual de São Francisco é trazido à luz com base nas etapas descritas, como também questões sobre a sombra, o lugar de onde emerge a palavra e outras implicações do processo da busca.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Ó Mestre

Mais do que ensina, mais do que professa um conhecimento, ou uma técnica; o mestre é aquele que dá o exemplo pela própria atitude. É aquele que se torna exemplo vivo do que prega, do conhecimento que quer disseminar. Assim, é de se esperar que o pensamento ecológico, ecumênico, sistêmico, libertário de Leonardo Boff encontre no Mestre de Assis um símbolo que muito bem o integre. O Mestre de Assis, São Francisco de Assis pode ser considerado uma imagem arquetípica do ideal da fraternidade, da integração entre todos os seres da natureza, do exercício efetivo dos ensinamentos do Amor Crístico, do desapego à vida material para buscar a plenitude do espírito, através da ação do amor.
Neste livro, a Oração da Paz, ou Oração de São Francisco de Assis é interpretada, passo a passo, à luz dos ensinamentos do Evangelho. O pensamento que se estrutura ao longo do livro, implementa uma cultura de Paz para o indivíduo, e por consequência para o coletivo, com base na ação construtiva, na perspectiva dos ensinamentos do Mestre de Assis.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

habemus papam

O protocolo do Vaticano para eleição papal dá o mote para o drama, permeado de pitadas humorísticas, dirigido por Nanni Moretti. Também atuando como ator, na figura de um psicanalista que é contrato às escondidas para tratar do papa eleito, acometido por uma crise de pânico, Moretti traz para surpresa dos espectadores uma abordagem bem humorada do protocolo, da política que envolve interesses de estado, da expectativa dos fiés católicos, enfim os contornos e os elementos que dão forma a eleição do líder católico.
Uma sucessão de acontecimentos equivocados dão lugar ao cômico, a partir da realização do conclave que elege o papa, que no momento de anuinciar-se ao público de fiéis, entra em pãnico e acaba por fugir, em busca de uma psicanalista, (por sugestão daquele, anteriormente, contratado); para quem aparece como pessoa comum. Essa ação acaba por revelar o seu verdadeiro desejo. Ao integrá-lo, o angustiado e assustado papa liberta-se das amarras que o envolviam, para espanto do colégio de cardeias e da multidão desejosa de liderança.
Michel Piccoli interpreta o papa eleito, que se julga incapaz de aceitar a responsabilidade que lhe é imposta. "Temos Papa" vale como uma metáfora para, além das pinceladas políticas, trazer à tona o sujeito redimido pelo encontro do eu confesso, sem pretender tratar desse percurso intimista, mas das relações entre o estabelecido e o inusitado. Algumas lacunas são deixadas ao longo do caminho, como o envolvimento do papa, no papel de pessoa comum, com um grupo de atores com o qual convive em boa parte do filme; como também o caminho que lhe serve para a saída pessoal encontrada. Assim, segue o papa para o seu desfecho diante do aflito povo na Praça de São Pedro.

quinta-feira, 29 de março de 2012

O Físico

Noah Gordon, nesse livro traz a saga de um jovem, que no século XI, traça a sua trajetória desde menino ao perdero os pais precocemente, até o encontro de si mesmo, em uma terra estranha. Depois de ter percorrido muitas jornadas na realização do seu propósito interior - tornar-se um curador - lidar com a vida e com a morte, combatendo essa última, até onde seu empreendimento possa alcançar.
A narrativa é épica, preenchida pela inventividade, mas trazendo o percurso histórico do desenvolvimento da medicina na época medieval, das relações religiosas que se travavam na época, além de um retrato de usos, costumes e geografia daquele período. Longa, como toda epopéia, a narrativa nos convida a acompanhar ao longo de muitos anos, da infância à maturidade, a jornada de Rob - o herói que que trava as suas batalhas internas e externas no intuito de realizar o seu mito pessoal. A perda, o abandono, o embuste, a luta pela sobrevivência, a descoberta das habilidades, a solidariedade, a descoberta do sexo, a aventura, a luta, o amor, a conquista, a dificuldade, a cobiça, a amizade verdadeira, a relação mestre/aprendiz, a percepção da energia vital, o dom, o poder, a ganância, enfim o leque dos aspectos da humanização que vai se descortinando ao personagem na sua experiência arquetípica. Ao caminhar por estas páginas, é provável que o leitor sinta-se convidado a um mergulho na sua própria jornada, levado pela mão do arquétipo do curador que se ativa ao longo da narrativa. Além desse convite, o autor nos brinda com uma frase, já no final do livro que marca os parâmetros desse encontro : ..." até mesmo para uma criança, o envolvimento com o sofrimento do mundo é um ato voluntário."
Curar, curar-se implica em apropriar-se da dor para trazê-la à luz e ter a possibilidade de transformá-lo seja ela interna ou externa. Assim se dá o processo, e a escolha é voluntária. O físico é um convite a esse caminhar de mãos dadas com o dom da vida.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Margareth Thatcher

Curiosamente surge um cognome de "A Dama de Ferro" para designar alguém. Alguém que se tornou uma das figuras mais marcantes do sec. XX, à frente do Império Britânico; portanto à frente de um dos potentados do mundo ocidental. Mais curioso ainda, é surgir uma idéia de escrever um livro, do qual foi gerado um filme, que busca mostrar o lado humano dessa figura, ícone da força e determinação. Digo que esses vieses são curiosos, não porque sejam incomuns, porque a literatura, a cinematografia, até mesmo os jornais estão preenchidos de textos e leituras que tentam mostrar lados opostos àqueles que se apresentam em determinadas figuras que são eleitas emblemáticas. O que me chama a atenção é notar que ainda não é fato comum, que todo mundo se compõe de várias facetas. Todo mortal é mortal, todo deus é divino, mas todo homem é um deus em ascensão. Enfim, de volta ao lugar comum: o alimento dos alquimistas - o que está no céu está na terra. Mas esse preâmbulo não se propõe a depor contrariamente ao filme intitulado A Dama de ferro que se propõe a mostrar o lado de pessoa comum de Margareth Thatcher, e somando-se ao Discurso do Rei, traz a determinação como traço pessoal e linha mestra dos personagens da política inglesa, recentemente trazidos às telas de cinema. O filme dirigido por Phillyda Lloyd, a meu ver, tem o mérito de impactar, através de uma linha temporal continuamente móvel em uma montagem de retrocessos e avanços, marcada por uma fotografia de tons claros e fortes, contrapondo-se com tons fechados e acinzentados. O impacto está em colocar a inexorável linearidade entre a ascenção da afirmação da vida, na definição de um papel social, e a decreptude na solidão de uma casa vazia. Paradoxalmente, a linha descontinua do tempo traz essa lineariedade de sentido, defrontando o espectador com a transitoriedade da vida, a efemeridade da vitalidade e do poder. O poder, nesse caso, pode ser estendido desde o poder político, social, econômico, pessoal, como simplesmente o poder vital - a presença da vida em sua potencialidade máxima, na expressão da sua materialidade.
Entre a sua ascenção e decreptude ,entre a afirmação pessoal e política diante do terreno dominado pela presença masculina; e a dependência, as memórias, as perdas e os delírios a personagem em foco, estrelada pela maestria do talento de Maryl Streep, desfila nesses contrapontos, tendo como pano de fundo os eventos políticos que marcaram a vida da Grã-Bretanha nos anos 80. Crise econômica e social, guerra das Malvinas, crise do partido conservador: a história compõe o cenário onde emerge a Dama que se afirma pela determinação no cenário pessoal e político, e se apaga na casa vazia, representação de uma mente que trilha para o inexorável sombreamento, produzido pelo avanço do Mal de Alzheimer : representação do vazio inevitável da transitória materialidade da vida humana? Se é verdade que a vida se manifesta a partir do vazio, então a vida caminha para Deus? Deus está no silêncio? Será a Dama de ferro, ou humanamente divina? Diante desses vieses, vale a pena lembrar Freud, no seu ensaio Sobre a transitoriedade (1915), no qual afirma que o extraordinário da experiência está na escassez do tempo em que se realiza.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Cores e vozes da Bahia

Atrativos pela exuberância das cores das imagens, pela exuberância dos ritmos, pelo aquecimento das paixões, os dois filmes que retratam a Bahia, brilham nas telas dos cinemas da cidade de Salvador e estreiam em outros estados. Jardim das folhas sagradas e Capitães da areia, dirigidos respectivamente por Cecília Amado e Pola Ribeiro espelham os talentos de atores, cantores e encantados. Seguindo os passos ritualísticos do Camdomblé, O Jardim das folhas sagradas reverencia as folhas, as matas representadas pelo Orixá Ossãe. Ritual aberto pelo canto de Maria Bethânia, permeia os passos de Miguel Bonfim (Antônio Godí), que recebe, ao nascer, a missão de cultuar o Orixá das folhas. Funcionário do Banco do Brasil e contrário a aspectos da tradição do culto afro, o Filho de Santo, resiste ao mandado do seu destino. Lugares sociais, lugares urbanos, etnia, tradição, poder, conceitos e preconceitos são os elementos que se articulam na narrativa que transcorre lentamente monótona, porém honestamente buscando tornar-se eco de vozes que ao longo da história tem buscado a força do sangue e do corpo para lutar pela construção do seu lugar histórico. Com roteiro de João Jorge Amado, Cecília dirige o espetáculo das cores baianas pintadas por Jorge Amado - Capitães da areia. O perfil de baiano bonito e sensual, criativo e inusitado reaparece nas figuras de Pedro Bala (Jean Luis Amorin) e Dora (Ana Graciela). A baianidade exuberante, e tão somente bela, derrama-se pelos caminhos de uma narrativa que exerce sua atração pelas imagens sedutoras, mais que pela consistência das questões que emanam da situação social dos meninos da Bahia, que dominaram a cidade baixa com seu grito de existência, cujo som é alvo das tentativas de asfixia de uma sociedade desigual. Mas os corações dos meninos insistem em bater ao ritmo da narrativa fabulesca que se desenrola entre passos de capoeira, batuques de camdomblé, furtos de toda ordem a fluir com as ondas do mar que levam os saveiros ao seu destino sem porto de ancoragem. Como disse acima, atrativo pelas cores. Acrescento: pungente por fazerem eco à voz emergente de lugares socias que ao longo da história de desigualde e exclusão buscam a sua expressão. Poderia-se esperar outros tipos de resolução e discurso para as questões sociais e humanas colocadas, por exemplo, maior exploração do tema e mais consistência narrativa, mas, a meu ver, vale muito pelo som das vozes a ecoar.